Darwin's Cat
Guillaume Pille. Simplesmente decidi projetar o que eu precisava

Guillaume Pille. Simplesmente decidi projetar o que eu precisava

Todo mundo prefere tocar num 4×12, eu também. Se houver oportunidade, sim, me deem uma parede de 4×12! Mas eu consigo fazer isso? Na maioria das vezes, não.
Guillaume Pille · Fundador da Two Notes Celestion Digital, 2022
O que no mercado de guitarra a gente chama de inovação costuma ser só a tentativa de reproduzir fielmente o som de um amplificador construído há quarenta anos!
Guillaume Pille · Fundador da Two Notes Reverb, 2017

Oleh Lafoks

Guillaume Pille. Foto: Two Notes, página sobre a empresa
Guillaume Pille. Foto: Two Notes, página sobre a empresa

Pille era antes de tudo guitarrista, e só depois doutor em processamento de sinais. Ele inventou o seu primeiro aparelho porque não conseguia gravar direito em casa o próprio amplificador valvulado. O som do ReVolt dele pode ser experimentado no nosso plugin gratuito FrostPawAmp ou nas capturas NAM do ReVolt.

Capítulo um. Órgão, metal e uma tese de óptica

Desde criança, Guillaume Pille vive entre máquinas que fazem som.

Aos treze anos ele compõe peças eletroacústicas no estúdio de um conservatório. Ali mesmo aprende a tocar órgão. A guitarra viria depois.

Depois, o metal. Pille toca em bandas e grava discos para as próprias bandas, e mais ainda para bandas dos outros, em começo de carreira.

Começo dos anos 1990. Os computadores chegam ao estúdio. Ele ganha a chance de brincar com um monte de brinquedos muito legais.

E, em paralelo, a ciência. Em 2005, em Montpellier, ele defende o doutorado em eletrônica, optrônica e processamento de sinais e trabalha com pesquisa em comunicações ópticas. Oferecem a ele uma vaga de professor na universidade.

Ele recusa.

Mais tarde Pille escreveria sobre isso sem sentimentalismo: decidiu não ganhar muito dinheiro no ramo da pesquisa em telecomunicações e ir para o mercado, bem pequeno, de instrumentos musicais profissionais.

O motivo é simples. Ele tem um ótimo amplificador valvulado, um ENGL. E nenhum jeito de botá-lo no talo em casa.

Gravando música em casa, ele percebe quanto barulho sobra para as pessoas ao redor. E não só para elas. Os ouvidos de músicos e técnicos sofrem, e esse tipo de dano não tem cura.

Não existe solução pronta.

“Não havia nada disponível, então simplesmente decidi projetar o que eu precisava.”

Ele não gosta de simuladores analógicos de alto-falante. Por isso pega um dos primeiros softwares de resposta de impulso e o combina com um load box analógico. Assim nasce a ideia do load box digital.

Primeiro ele mostra a ideia a alguns conhecidos, depois a publica em fóruns. Vê que ali tem alguma coisa. E arrisca.

Capítulo dois. Estagiários por um terço do salário mínimo

O projeto Torpedo começa em 2006.

O primeiro a chegar até Pille é Ivan Cohen, estagiário de uma escola de engenharia. Antes disso ele tinha estudado no IRCAM, em Paris, e mais tarde defenderia ali uma tese sobre modelagem de amplificadores valvulados de guitarra em tempo real.

Depois chega Bruno Ferren, formado pelo INSA de Lyon, para o estágio de fim de curso. Ele escreve o código para o processador embarcado, e ficam com ele para chefiar o desenvolvimento de hardware.

Em janeiro de 2008 Pille registra a sua empresa, a OROSYS, para contratar os primeiros membros da equipe. A escola de engenharia de Alès, a Polytech' Montpellier e a região do Languedoc-Roussillon dão uma mão.

Naquele janeiro, a página inicial do site da empresa oferece duas vagas de estágio, de fevereiro a setembro de 2008. A tarefa: um protótipo com processadores de sinal SHARC, da Analog Devices, e um microcontrolador ARM7. O pagamento: 30 por cento do salário mínimo. O lugar: o vilarejo de Saint-Martin-de-Londres, perto de Montpellier.

A marca se chama Two Notes. O nome não é francês, e isso é de propósito: desde o começo, diz Pille, o mundo inteiro era o parquinho deles.

O primeiro logotipo: um símbolo de infinito com duas notas desenhadas dentro. E o aparelho se chama Torpedo porque um torpedo vai direto ao alvo. Essa é a linha que Pille passa para a equipe: eficiência e o caminho direto até o objetivo.

Capítulo três. Um torpedo lançado em plena crise

Em março de 2008, na Musikmesse de Frankfurt, a Two Notes mostra o Torpedo VB-101 pronto. As entregas são prometidas para maio.

Acontecem em dezembro.

De 4 a 13 de dezembro, o Torpedo Tour passa por lojas francesas: testes gratuitos e, na programação, um show do guitarrista Kenny Serane. O lançamento oficial é em 17 de dezembro de 2008.

A hora não podia ser pior. “Em 2008, quando a gente estava começando, o mercado estava em ruínas”, lembra Pille. Aparelhos caros vendem mal, e a empresa faz modelos mais baratos, para amadores e semiprofissionais.

Em janeiro de 2009 Pille aparece na TV regional France 3. No site da empresa ele deixa uma nota curta. A mídia gosta de simplificar e chamá-lo de inventor, mas os produtos da Two Notes são o trabalho de uma equipe sem a qual o tal inventor pouco conseguiria fazer.

Os primeiros a se render são os que testam equipamento. Tristan Klein, da Audiofanzine, se apaixona pela caixa no Salon de la Musique et du Son, e o VB-101 passa a gravar a guitarra nos testes em vídeo do site.

Capítulo quatro. No palco com Johnny Hallyday

Em janeiro de 2010 a Two Notes vai pela primeira vez à NAMM e mostra lá o seu modelo seguinte, o VM-202. O Torpedo chega aos Estados Unidos e ao Canadá.

Em 2011 sai o primeiro plugin, o Torpedo PI-101. O produtor sueco de metal Dan Swanö escreve que ele é, de longe, o melhor substituto para um gabinete de verdade.

Em 2012 vem o Torpedo Live: uma carga reativa analógica de 100 watts, mais DSP e convolução.

Em maio daquele ano a empresa já está num distrito industrial em Vendargues, num espaço maior: a incubadora tinha ficado apertada para a logística. São oito funcionários.

E então, uma fama inesperada. O guitarrista britânico Robin Le Mesurier toca a turnê de Johnny Hallyday com os aparelhos da empresa. A Arena de Montpellier, e oito pessoas de Vendargues no palco com Johnny. Invisíveis, mas no palco.

Capítulo cinco. Um fliperama e o lockdown

NAMM 2015: Simon Depys e Guillaume Pille, da Two Notes; Devin Townsend, Renaud Louis-Servais e Pierre Journel. Foto: The Guitar Channel
NAMM 2015: Simon Depys e Guillaume Pille, da Two Notes; Devin Townsend, Renaud Louis-Servais e Pierre Journel. Foto: The Guitar Channel

Depois a linha cresce: o Torpedo Reload, o pedal C.A.B., o plugin Wall of Sound, o Torpedo Studio. Steve Stevens, guitarrista de Billy Idol, grava um vídeo sobre como trabalha com o seu Torpedo Studio.

Na Musikmesse 2015 a Two Notes leva a série Le Preamp de pré-amplificadores valvulados: Le Clean, Le Crunch, Le Lead e Le Bass. A coisa mais francesa que a empresa tem, e de propósito: Pille queria brincar com o clichê francês.

No estande tem uma máquina de fliperama. Os modos de edição dos aparelhos se chamam Arcade e Simulation.

Por que Arcade? Pille simplesmente gosta de videogame.

Em 2017 sai o Torpedo Captor, uma carga reativa analógica.

E em janeiro de 2020 o Captor X estreia na NAMM. Ele chega às lojas bem no primeiro lockdown. As pessoas estão trancadas em casa, procurando um jeito mais simples de gravar. O Captor X ganha o prêmio da Sound On Sound de melhor produto de tecnologia para guitarra de 2020, e Pille o chama de primeiro sucesso global da empresa.

Capítulo seis. ReVolt: tudo de volta ao analógico

No fim de 2021 a Two Notes tira de linha a série Le Preamp. Ela é redesenhada do zero: tudo de bom dos três pré-amplificadores de guitarra vai para uma caixa só.

Assim surge o ReVolt Guitar. Anunciado em maio de 2022, ele estreia na NAMM em junho. Estava prometido para setembro, mas a produção se mostrou mais complexa do que o esperado, e decidiram não ter pressa. O ReVolt chega às lojas em 27 de dezembro de 2022.

Two Notes ReVolt Guitar. Foto: Two Notes, página do produto
Two Notes ReVolt Guitar. Foto: Two Notes, página do produto

Três canais, cada um com o seu amplificador de referência. O American Clean é baseado no Fender Bassman 100. O British Crunch, no Marshall JMP Super Lead. O Modern Lead, no Soldano SLO-100, aquele mesmo da história de Mike Soldano.

“Na verdade, ele é baseado em alguns dos amplificadores da minha coleção!”, diz Pille.

Dentro há uma única válvula de verdade, uma 12AX7 trabalhando a 200 volts. O caminho do sinal é todo analógico: nada digital, nenhum processamento Torpedo. Para uma parte dos compradores, isso é questão de princípio; Pille calcula que sejam de dez a quinze por cento. O ReVolt tem firmware, sim, mas ele só troca os canais e escuta MIDI. No som ele não mexe.

O simulador analógico de gabinete do ReVolt é baseado num Marshall 4×12 Slash Signature. Já em 2011 Pille citava esse mesmo gabinete como parte do seu rig: ele o usava no palco como retorno.

O próprio Pille vê o ReVolt como um produto modesto, de transição. Mas com ele, diz, um guitarrista não precisa de uma coleção de amplificadores.

Digressão para engenheiros. O amplificador precisa acreditar

Desde o começo, o Torpedo foi pensado como uma caixa que substitui quatro coisas: o estágio de potência, o gabinete, o microfone e o pré-amplificador de microfone.

A primeira dessas tarefas é a mais delicada. Sem carga, um amplificador valvulado queima, e carga não é só uma resistência.

Uma carga resistiva simples tem impedância fixa de 4, 8 ou 16 ohms em todas as frequências. É assim que a indústria testa amplificadores em silêncio. O som sai mais quente, e o estágio de potência satura um pouco antes. Uma carga reativa reproduz a impedância complexa de um alto-falante real. O som fica mais brilhante e mais natural.

Por que isso importa, quem explicou melhor foi a Sound On Sound, já em 2010. Quanto mais fiel a cópia da curva de impedância, mais a realimentação negativa do estágio de saída se parece com a que um alto-falante real produz. E isso quer dizer que a distorção das válvulas de potência e a sensação debaixo dos dedos são aquelas a que o guitarrista está acostumado.

O manual do Captor diz isso de forma mais curta: o amplificador vai acreditar totalmente que está ligado a um gabinete de verdade.

Dentro do Captor X há uma bobina de verdade. Sob carga, ela canta baixinho, como se houvesse um alto-falante minúsculo escondido na caixa. O manual tranquiliza: é perfeitamente normal. É só que agora se ouve o amplificador trabalhando pela primeira vez, e isso pode assustar.

Depois, o microfone. No menu do Torpedo Studio, o guitarrista toma o lugar do técnico de som. O microfone virtual vai do centro do cone até a borda, até três metros do gabinete, e até atrás dele. O parâmetro Overload acrescenta a distorção do próprio alto-falante, até chegar ao som de um alto-falante prestes a se destruir.

A distorção do alto-falante é a parte mais cara do cálculo. A latência do VB-101 é de menos de cinco milissegundos, como estar a cerca de um metro e meio do gabinete. Dá para baixar para três, mas aí o Overload some.

Depois, o DynIR. Cada gabinete é capturado com oito microfones de verdade, com dez mil posições na frente do gabinete e dez mil atrás para cada microfone. Com respostas de impulso comuns, diz a Two Notes, isso exigiria uma biblioteca de 160.000 arquivos perfeitamente alinhados em fase.

Para o volume, a Two Notes já testou três caminhos. O Reload queima a potência do amplificador na carga e amplifica de novo o sinal até o volume desejado com um amplificador transistorizado limpo. O Captor simplesmente corta 20 dB. E o Captor X Pro troca com relés as derivações de um autotransformador, em degraus, até o silêncio.

E a parte mais engraçada. Pille começou não gostando de simuladores analógicos de alto-falante. Depois a Two Notes enfiou os seus gabinetes digitais de volta em circuitos analógicos: o simulador do Le Preamp é construído sobre o modelo digital da própria empresa de um gabinete 4×12 captado com um microfone dinâmico. Do Le Preamp, esse simulador passou para o Captor, e o próprio Le Preamp virou o ReVolt. E em 2026 o Capture Studio gratuito da própria Two Notes faz capturas NAM neurais e cita o ReVolt entre os aparelhos que consegue capturar.

O círculo se fechou.

Capítulo sete. O que aconteceu com Guillaume?

Ninguém nunca comprou a Two Notes. Pille continua sendo o CEO, e, segundo o registro de empresas, quem preside a empresa é a própria holding dele. Lá trabalham de dez a dezenove pessoas, e hoje elas ficam em Saint-Gély-du-Fesc, perto de Montpellier.

Desde o começo, mais da metade dos aparelhos ia para o exterior, e em 2017 já eram de 80 a 85 por cento.

Pille queria modelar amplificadores desde o começo. O Torpedo, diz ele, não era o projeto principal, só uma forma de dar o impulso inicial. A tese de Ivan Cohen sobre amplificadores valvulados tratava da mesma coisa.

Só chegaram lá quinze anos depois. O Opus saiu em 2023, e o GENOME em janeiro de 2024, substituindo o Wall of Sound. O GENOME tinha sido prometido para janeiro de 2023. Atrasou exatamente um ano.

A regra da empresa: nada de produtos descartáveis que fiquem obsoletos em três anos.

Tudo é montado sem cola, para que um aparelho possa ser consertado de A a Z. A memória é escolhida com um número de ciclos que dá para décadas. Se um produto continuar funcionando por quarenta anos, calcula Pille, não está nada mal.

E ele escolhe as pessoas de modo que façam o trabalho delas melhor do que ele mesmo faria.

Epílogo. Silêncio a todo volume

Esta história também tem uma simetria.

Um guitarrista de metal não conseguia botar o seu ENGL no talo em casa sem incomodar as pessoas ao redor. E construiu uma caixa que deixa o amplificador trabalhar no máximo enquanto o ambiente continua em silêncio.

Ele não gostava de simuladores analógicos de alto-falante, então partiu para o digital. E depois a própria empresa dele enfiou os seus gabinetes digitais de volta em circuitos analógicos.

A inovação, diz Pille, costuma ser só a tentativa de reproduzir fielmente o som de um amplificador construído há quarenta anos. Só que antes é preciso deixar esse amplificador trabalhar a todo volume. Em silêncio.


No nosso site, a Two Notes é representada pelo plugin gratuito FrostPawAmp e pelas capturas NAM do ReVolt.

Fontes

  1. About Two notes, site da empresa, em inglês

  2. Two notes' Guillaume Pille Talks Cab Simulators and the Future of Digital Amps, Reverb (2017), cópia na Wayback Machine, em inglês

  3. Interview with Guillaume Pille, Founder of Two notes Audio Engineering, Celestion Digital (2022), em inglês

  4. New user presentation: Guillaume Pille from Two Notes, Guillaume Pille se apresenta no Rig-Talk (2011), em inglês

  5. Guillaume Pille: wywiad z założycielem Two notes Audio Engineering, TopGuitar.pl (2021), cópia na Wayback Machine, em polonês

  6. Montpellier: Une société héraultaise sur scène avec Johnny Hallyday, Midi Libre (2012), cópia na Wayback Machine, em francês

  7. OROSYS, a equipe, site da empresa (2009), cópia na Wayback Machine, em francês

  8. OROSYS, a página inicial com os estágios (2008), cópia na Wayback Machine, em francês

  9. G. Pille sur France 3 sud, site da empresa (2009), cópia na Wayback Machine, em francês

  10. Torpedo Tour: c’est parti, site da empresa (2008), cópia na Wayback Machine, em francês

  11. Le VB-101 choisi pour la prise de son des tests guitare Audiofanzine, site da empresa (2009), cópia na Wayback Machine, em francês

  12. Musikmesse: Torpedo, ready to fire, Audiofanzine (2008), em inglês

  13. Première participation au NAMM, site da empresa (2009), cópia na Wayback Machine, em francês

  14. Two Notes Audio Engineering Announces Torpedo Live and Software Updates, Premier Guitar (2012), em inglês

  15. Dan Swanö, página do artista no site da empresa (2011), cópia na Wayback Machine, em francês

  16. Musikmesse 2015 News Release, site da empresa (2015), cópia na Wayback Machine, em inglês

  17. Two Notes Torpedo VB101, Sound On Sound (2010), em inglês

  18. Torpedo Live User’s Manual, Two notes, em inglês

  19. Torpedo Studio User’s Manual, Two notes, em inglês

  20. Torpedo Captor User’s Manual, Two notes, em inglês

  21. Torpedo Captor X User’s Manual, Two notes, em inglês

  22. Torpedo Reload User’s Manual, Two notes, em inglês

  23. What is DynIR?, site da empresa, em inglês

  24. Le Preamp Series User’s Manual, Two notes, em inglês

  25. ReVolt Guitar, página do produto no site da empresa, em inglês

  26. ReVolt Guitar User Guide, Two notes, em inglês

  27. Two notes unleash ReVolt: The Triple Threat, site da empresa (2022), em inglês

  28. ReVolt Series retail availability update, site da empresa (2022), em inglês

  29. ReVolt Series: Now shipping!, site da empresa (2022), em inglês

  30. ReVolt Series Firmware Update v1.15, site da empresa (2023), em inglês

  31. Capture Studio User’s Manual, Two notes, em inglês

  32. NAMM24: Two notes Unveil GENOME, Sonicstate (2024), em inglês

  33. Two Notes Introduces Captor X Pro, Premier Guitar (2026), em inglês

  34. Ivan Cohen, tese sobre modelagem de amplificadores valvulados de guitarra, theses.fr (2012), em francês

  35. OROSYS no registro de empresas da França, data.gouv.fr, em francês

  36. Guillaume Pille, PDG de Two Notes, en interview dans LPDLP #17, Audiofanzine (2018), vídeo, em francês

  37. Confessions du PDG de Two Notes sur son rapport à l’écologie, Audiofanzine (2023), vídeo, em francês

  38. Summary of my first NAMM show, The Guitar Channel (2015), em inglês

  39. Steve Stevens and his Torpedo Studio, site da empresa (2015), cópia na Wayback Machine, em inglês